Casa do Povo de Monte Real

A crítica social, a sátira, a má língua e o veneno de uma EKIPS sempre muito bem disposta!!!

domingo, novembro 20, 2005

Mais vale um cagalhão na mão do que vários a voar

6h20 - Ai, como eu adoro quando o despertador toca a estas horas!!! Só me apetecia era dar-lhe um pontapé. A verdade é que já não é nada cedo. Tinha combinado ir buscar os dois juniores da Vieira às 6h40. Assim sendo, vou já no meu carro. Sempre demoro menos tempo. Mal abro a porta de casa, fico ainda com mais vontade de sair: um frio de rachar e um céu escuro a fazer lembrar as horas de chegada (e as belas “cabras”)... e nunca as horas de partida. Mas tinha de ser e o que tem de ser tem sempre muita força
6h40 – À hora marcada lá estava estacionar o meu veículo automóvel em frente à casa do júnior Rui Parreira, o local combinado. Não era um daqueles encontros em que se procedem a algumas transacções ilícitas, mas apenas um momento de carregar mercadoria animal. Isto de ir apanhar estes animais às paragens só me faz recordar os meus tempos de estudante de Leiria. “Autocarro com destino a Praia da Vieira, Vieira de Leiria, Carvide, Granja, Monte Real, Várzeas, Ortigosa, Regueira de Pontes, Ponte da Pedra, Gândara e Bairro, é o autocarro 4782 que se encontra à saída da Gare”. Bela vida a de estudante! No ponto de encontro estava apenas o Rui... faltava o Paulo Daniel... eu estava a ver que tinha que me enervar, mas o rapaz chegou logo a seguir. Entre várias conversas, lá fomos falando na misteriosa Enérsia, a rapariga com nome de cola rápida. Chegados à CPMR, ainda o pessoal tomava um quente café na Praça e comia o pequeno almoço servido pela Antónia. Estava tudo a decorrer como mandam as regras. Antony e Filipe Coelho decidiram que tinha de ser diferentes e foram até ao Café Central. Há sempre umas ovelhas negras no grupo.
7h00 – Hora de saída. A carga estava arrumada e os malotes estavam confortavelmente sentados no porta-bagagens. Aquelas mochilas e malotes têm cada estória para contar. Ali, uns em cima dos outros. Orgia para ali, orgia para acolá. Depois há uns que dizem que emprenham e que dão à luz bocados de lancil, pedras, rochas e outros belos espécimens de geologia. Todo o tipo de pedras, menos as pedras preciosas. Preciosa, só mesmo a da Pensão Montanha. O pessoal foi dividido pelas carrinhas a preceito. Numa iam os que jogavam primeiro e tinham mais pressa (iam pela auto-estrada): os de primeiras e os de terceiras com objectivos de pontuação. Na outra iam os juniores, que só jogavam à tarde, a senior feminina Inês (ficou com a azia por eu não ter ido na carrinha dela), o Filipe Coelho, jogador de segundas e dois atletas de terceiras que não têm quaisquer pontos no ranking e não têm perspectivas de vir a alcançar: o Jau e o João Cruz e. Lá partimos em viagem, em busca de mais gloriosas conquistas. Entretanto, a carrinha onde eu estava, decidiu que deveríamos fazer uma paragem por terras leirienses e apanhar uma ou duas prostitutas que estivessem em horário de expediente no mais velho, tal como a profissão, local de trabalho: a berma da estrada. Depois de muito regatear, conseguimos convencer as duas meninas, de seus nomes José Silva e Romain Manso, a entrar na carrinha e a proceder aos habituais trabalhos manuais e de aquecimento. Enquanto isso, na outra carrinha e de acordo com a minha colaboradora Inês, existiram dois momentos fulcrais para o desenvolvimento da viagem. O primeiro episódio eu chamar-lhe-ei, “A Paragem necessária”. Costuma dizer-se, num dos mais velhos ditados portugueses, que “Quando mija um português, mijam logo dois ou três”. Neste caso não foram três, nem quatro, mas cinco a mijar e mais um... a vomitar. Que lindo quadro, que maravilhosa aguarela pintada por estes fantásticos jogadores da CPMR. Mas não ficamos por aqui. A viagem nesta carrinha ainda foi mais entusiasmante do que poderiam pensar. Ao segundo episódio eu vou dar o título: “Uma punheta na moda!”. Não é que um dos nossos juniores, e mais uma vez, recuso-me a enunciar nomes, só posso dizer que o primeiro nome é Paulo e o último é Henriques e o tratam por Russo, foi apanhado em flagrante delito pelo pai, quando esgalhava o pessegueiro em frente a mais um entusiasmante, erótico e pornográfico desfile de moda em Paris, transmitido pela Fashion TV. Ai estes jovens de hoje, não sei onde vão parar. Na minha altura não era assim. Era mais do tipo de gajas irem para o hospital com cães agarrados, ou gajos apanhados em pleno acto sexual com burras e assim. Agora, isto é que não. Algumas horas e outros tantos episódios mais tarde, lá chegámos ao destino: Covilhã.
10h00 – Hora de início de primeiras. 10h01 – Rocha eliminado. Ah, já me esquecia, o meu parceiro ainda conseguiu eliminar esse jogador de referência do ténis de mesa nacional, José Miguel, de Seia. A ajuda do veneno mortal de José Silva foi preciosa para o desenrolar deste encontro. Apesar de eliminado, Sérgio Ramos conseguiu ser o grande dominador do dia... na roulote das bifanas e das Sagres, sempre muito bem coadjuvado por Roberto Sebastião, uma autêntica revelação nestas lides de ingestão de líquidos frescos, saborosos e com a fantástica capacidade de dar a volta à cabeça a um gajo. Lula mantinha-se em prova. Estava em grande.
11h00 – Início de Terceiras. Segundos mais tarde, Jau já estava fora da corrida. Menos um candidato à vitória. João Cruz foi logo a seguir e depois foi a vez de Roberto, que mais uma vez conseguiu pontuar. Antony voltou aos velhos tempos de principal candidato a melhor terceiro jogador do ano. Lá conseguiu um brilhante nono lugar e ajudar a ekips a conquistar o seu segundo título colectivo da época. Serrano perdeu uma vez mais com Madaleno da Covilhã, mas desta vez consegui ganhar um set... por este andar daqui a dois torneios já lhe ganho. Romain foi a figura do dia, mas desta vez pela positiva, ao ganhar o torneio. Esteve em grande (altura não lhe falta) o nosso estrangeiro. Passando algumas horas à frente, Lula foi eliminado, mas tem vindo a melhorar cada vez mais as suas prestações. Agora que os seus problemas conjugais acabaram, Lula parece mais desinibido e mais desenvolto nos seus movimentos mesatenísticos
Parte da tarde (não sei a que horas) – Inês Santos manteve a sua regularidade exibicional, ou seja, perdeu outra vez com Zita e Ercilia. O hábito faz o monge, ou nesta caso a freira. Em segundas, Filipe Coelho conseguiu a extraordinária façanha de ganhar um jogo em segundas e logo em circunstâncias muito complicadas. O homem jogou com a mão esquerda porque tinha o braço direito aleijado. Comentário do Filipe: “Eu estava a achar estranho ele jogar com a esquerda, mas pensei que ele estava a fazer de propósito para me enganar. Mas depois ele continuou a jogar com a esquerda e aí eu pensei que ele se tinha esquecido de trocar de mão. Mas eu fui mais esperto e decidi não o avisar”. José Silva está em boa forma e continua a destacar-se no campeonato de segundas. Desta vez, perdeu frente ao primeiro do ranking e foi por pouco. É o veneno... da Wang Nang, claro. Nos juniores, destaque para o jogo que opôs Rui Parreira a Maike Gomes. Maike ficou com a azia, e com razão, depois de perder um jogo em que ganhava por 10-6 no último set. E eu que tinha estado a treinar a segurar as vantagens de pontos no dia anterior. Parece que o Rui foi mais esperto e aproveitou o treino para conseguir recuperar de desvantagens.
Horas e horas depois, várias Sagres bebidas e muitas vitórias e derrotas mais tarde - decidimos ir todos juntos tomar banho e celebrar no balneário mais um dia glorioso para a nossa fantástica ekips de ténis de mesa. Parecíamos mesmo uma equipa de futebol de onze. Um atleta que estava a pensar em tomar banho no nosso balneário, logo se sentiu ali a mais e lá se decidiu a abandonar aquela arena, antes de ser completamente trucidado por alguns dos bois da nossa ekips. O ambiente estava propenso para a confusão. Algo me dizia que ia haver “merda”. Só não pensei que o rocha levasse este meu pensamento tão à letra. Enquanto o meu parceiro realizava uma obra de arte, alguns decidiram fazer troça deste artista. Nunca se deve gozar com um artista, por mais mau que ele seja. Tanto o chatearam, que ele lá teve que mostrar e chegar bem perto dos narizes dos mais inconformados aquela bela amostra de monte de “merda”. Por pouco, João Cruz não bisava na partida. Quase que vomitava pela segunda vez. Mas mesmo assim vos digo, que mais vale um cagalhão na mão do que vários a voar.
Finalizado este episódio do balneário, a ekips teve de se dividir uma vez mais. Aqueles que estavam com mais pressa iriam com o Daniel Jau, os outros ficariam na carrinha do Velho. Ainda estou por saber as razões, mas Rui Parreira decidiu permanecer e ficar na carrinha do Velho. Má ideia. De certo que já se arrependeu.
“O Regresso” – O pessoal distribuiu-se equitativamente pela carrinha com prioridade de escolha para os mais velhos. Sem possibilidade de escolha, o júnior viu-se no meio de Lula, Rocha e Antony. Eu ia na frente e só ouvia, “Ai, ui, catrapum, pum”... coitado, pensava eu. Pois é, o rapaz portou-se mal, teve logo direito a castigo físico. Jantámos no centro da Covilhã, no restaurante habitual. Parece que o que estava melhor entre todos os repastos era mesmo o arroz à tamboril... ouvi dizer maravilhas!!! Pouco tempo depois, estávamos de partida. Depois de sair do restaurante e depois de ter visto toda a gente a ir ao WC, o junior Rui lembrou-se que estava aflito e começou a queixar-se. Ainda lhe disse para ele mijar na roda de um dos carros da PSP, mas ele não foi na cantiga. Ele estava tão apertado, que os restantes atletas decidiram fazer alguma pressão psicológica para ver se ele era tão forte como se pronunciava. “Parem a carrinha para eu mijar senão mijo-me todo... ai que já não aguento mais” – palavras aflitas do torturado junior. Lá teve o Velho que parar para que o Rui pudesse fazer o seu xixi. Alguns minutos mais tarde parámos outra vez para não desidratar...alguns quilómetros adiante a situação repetiu-se (eu pensava para mim... será que isto é um Dejá Vu... mas era mesmo verdade). Nesta ainda saí... ainda parámos uma terceira, mas já houve pessoal que se cortou. Estava tudo muito mais calmo. Chegámos a Leiria e tivemos que deixar as prostitutas em casa. Elas tinham feito o seu trabalho com mérito e por isso foram tiveram o direito a ser entregues à porta de casa. Estas eram daquelas finas, que não podem apanhar muito frio e chuva.
Chegada com sucesso – Pouco tempo depois, chegávamos a Monte Real, combalidos, mal tratados, mas sempre são e salvos.